Aos Nossos Filhos

 Estamos em outubro. Os anos passam tão rápido quando não somos mais jovens. 

Eu achava, que, nunca mais, iria me livrar do bullying no Tobias. Eu não escolhi ser deficiente, mas parecia, que meu destino já estava traçado e, que a liberdade me traria a mesma prisão do quarto. A solidão e a loucura. Às vezes, tivesse que aprender à ser homem.

Os meus sonhos foram roubados. 

Eu não deveria ter ido para um colégio militar. Talvez, o erro seja meu. E a lembrança do passado, ainda, doa, por essa escolha que eu fiz. Mas, não somos um país inclusivo. E tantas pessoas têm deficiências piores que a minha. E eu, olhava pra minha própria dor, como se eu fosse egoísta.

Agora, eu quero olhar pro outro lado da janela. 

Talvez, casar e ter filhos seja uma forma de ficar pra sempre na Terra. E a liberdade, não esteja no cigarro. Eu não gosto mais de drogas. Tenho nojo. Mas, sinto um grito de vida dentro de mim, que, quando eu te conheci, eu não tinha antes.

Talvez, a loucura me deu mais uma chance de viver feliz. Eu não tenho mais vontade de tirar minha vida. O Bruno, se suicidou. O Leozinho, se suicidou. E eu, ainda tenho vida. Por mais, que seja uma vida de dependência, eu ainda estou aqui. E minha mãe, também.

Os traumas me fizeram ficar doente da cabeça. Tenho que tomar remédios pra me situar que a vida é boa sem você. Mesmo você, me mostrando o que é liberdade. Mas, aqueles caras já morreram. E eu, não quero que você morra, como os artistas de Woodstock.

Tudo na vida tem um preço. Mas, nunca vou me curvar ao autoristarismo e ao Proerd.

Tanta gente, morreu na pandemia, todo mundo tinha medo da AIDS, todo mundo tinha medo de falar de política nos bares, tantos deficientes queriam ter a vida que eu tenho, tantas mães queriam que, o filho andasse, por mais torto que fosse. E eu, sempre reclamei da vida.

Talvez, eu tenha a oportunidade que poucos tem. De viver, de me amar e, de não ligar pras pessoas que nunca me ligaram quando eu precisava.

O meu tio Gilson, perguntou por mim no Higa's. E sempre estou dormindo.

Talvez, a vida seja rara. E talvez, essa liberdade hippie não seja pra mim. Mas eu, posso andar no campo ou, na praia. Mesmo não podendo beber e nem fumar maconha mais. Por causa, dos remédios pra ansiedade e, esquizofrênia. Mas, estou vivo.

Ainda tenho fotos das pessoas com que errei na vida. E das pessoas que eu me apaixonei perdidamente. Talvez, seja o que vai ficar de mim. Essas fotos. Talvez, eu fui egoísta em tentar o suicídio, mas nunca, com as pessoas. Aprendi, com a Teka sobre ser sincero e ter disciplina.

Talvez, disciplina seja mesmo liberdade!

Todos que viveram demais, estão isolados em suas casas. Orando pra Deus mudar suas vidas. Talvez, eu tenha essa sede de viver, pois, me inspiro em você. Mesmo a minha vida, sendo diferente da sua. E eu, não ser feliz, como todas as pessoas.

Eu queria ser como as pessoas, mas cada um é como é. E temos que ser fortes. Para não cortar os pulsos, por uma pessoa que não faz mais diferença.

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